9.11.16

Zênite


Vem! Vamos!
Me dê sua mão
Tire o relógio
Desligue o celular
Vamos juntos
Subir todos os degraus 
desse encontro
Viver cada milímetro
desse amor
Vem! 
O sorriso-combustível abastece 
a cumplicidade do olhar
Vem comigo nessa viagem
Juntos nesse não-tempo
Em que tudo é beleza e prazer
Vamos!
Dance comigo
Celebremos nossas noites de sol
com flores no cabelo
e fogo líquido
de uma fogueira de Beltane 
que arde do lado de dentro
Nos conduzimos rápido
mais alto
Mais
E mais
...
Ignorando os alarmes
Seguiram em êxtase 
até atingirem o topo.
Ela recuou.
Se olharam.
- Não posso seguir. Há um precipício à frente.
- Eu já passei da linha, não vê? Já estou do outro lado...
- Volte! - retrucou, puxando sua mão.
Era preciso recuar. Ele também sabia.
Abraçaram-se desesperadamente. 
Beijaram-se sedentos
certos de que aquele poderia ser o último dos beijos.
Reconheceram-se.
Encontraram-se um no outro,
Potencializaram curas.
Deram todos os 'gracias' que puderam
e iniciaram o caminho de volta
agora por trilhas distintas.
Ela vagarosamente descia cada degrau, percebendo-se e reconhecendo a veracidade de cada sensação naquele não-lugar. Coisas transformaram-se. Aquela que descia era outra: uma leoa-águia, com flores nos cabelos, certa de seu poder, delicadeza e indubitavelmente segura de si.


1 comment:

Anonymous said...

Quando a luz entrou, refletiu no mais lindo sorriso.
o mundo todo ficou iluminado.