"Bastou que seus olhos se reencontrassem para que o diálogo iniciasse:
(ele) _ Então é isso?
Ela sorri, contemplando seu olhar...
(ele) _ Nos amamos...
(ela) _ Sim! Simples assim! (risos)
(ele)_ Por que não percebemos ou aprendemos isso antes?
(ela) _ Por que nos dilaceramos? Nos machucamos tanto?
Seus olhos preenchiam o olhar dela...
(ele) _ Será que era exatamente aqui que precisávamos chegar?
Ela sorri, contemplando seu olhar...
(ele) _ Será que era preciso passar por 'tudo isso' pra descobrir o valor e amplitude deste sentimento?
(ela)_ Veja como mudamos! Não somos mais os mesmos! O 'tudo isso' nos direcionou a caminhos que possibilitaram 'desembaçar a alma', evoluir espiritualmente e enxergar os verdadeiros sentimentos... Resta agora saber o que faremos com este sentimento, com este amor...
(ele) _ Guarde o meu. Eu fico com o seu.... e 'sigamos em frente'!
(ela) _ Lembro quando me disse que estávamos nos afastando a passos largos... É isso que acontece agora?
(ele) _ Sim...mas o 'ser' e o 'saber' deste amor estão agora conosco, mesmo que esta vida nos distancie!
(silêncio)
(ele)_E o apego? Você conseguiu se livrar dele? Essa parte é difícil!
Ela, contemplando seu olhar, diz sorrindo:
(ela) _ Uma certeza 'álmica' do seu amor me impede de sentir ciúmes... Te deixo com amor...
(ele) _ Quero que seja feliz!
(ela) _ Eu já sou _ disse sorrindo.
(ele) _ Eu te amo.
(ela) _ Eu também.
(ele) _ Siga seu caminho. Terá minha proteção.
Os dois não piscavam. Despediam-se com o olhar quando ele tocou sua mão. Eles sentiram o toque de cada milímetro, de cada célula, de cada memória.
Ela então se retirou daquele aconchego 'tombom' e tão familiar.
(ela) _ Melhor não...
Olhou-o pela última vez, sorriu, virou-se e saiu andando, a passos largos...
Em sua condição humana, seu peito ainda gelava quando ele a chamava de 'my girl'."
" A minha herança pra você
é um amor, um sino, uma canção,
um sonho...
Nenhuma arma ou pedra
eu deixarei...
A minha herança pra você
é o amor capaz de fazê-lo tranquilo,
pleno...
Reconhecendo no mundo
o que há em si!" (Vanessa da Mata)