Ela olhava deslumbrada para aquele céu. Que maravilha... Sentia-se como se estivesse nele, ou melhor, como se fosse parte daquela imensidão, naquele tempo-espaço.
Ao perceber o movimento de seus olhos procurando a lua, ele disse: "Não há lua hoje... É lua nova!"
Hoje, assim que ela acordou e olhou seu calendário, escutou em suas lembranças esta mesma frase, como em um dejàvu.
Neste momento, percebeu que seu coração agora mensurava o tempo pelo céu...
A ausência da lua trazia a dimensão e a imensidão de oito luas de distância imposta pela vida e pelos dias.
Mais que depressa, quis se certificar: naquele céu de cidade grande, com poucas estrelas e muitos prédios, a lua não se fazia presente.
Ela então juntou dois meses de amor e saudade e soprou para Vênus, que aparecia tímida entre os prédios, certa de que, lá nas alturas, na Fortaleza de seu Olimpo, a grande Vênus se encarregaria de enviar seu recado...
