10.9.10

Luna Nueva

Ela olhava deslumbrada para aquele céu. Que maravilha... Sentia-se como se estivesse nele, ou melhor, como se fosse parte daquela imensidão, naquele tempo-espaço.
Ao perceber o movimento de seus olhos procurando a lua, ele disse: "Não há lua hoje... É lua nova!"
Hoje, assim que ela acordou e olhou seu calendário, escutou em suas lembranças esta mesma frase, como em um dejàvu.
Neste momento, percebeu que seu coração agora mensurava o tempo pelo céu...
A ausência da lua trazia a dimensão e a imensidão de oito luas de distância imposta pela vida e pelos dias.
Mais que depressa, quis se certificar: naquele céu de cidade grande, com poucas estrelas e muitos prédios, a lua não se fazia presente.
Ela então juntou dois meses de amor e saudade e soprou para Vênus, que aparecia tímida entre os prédios, certa de que, lá nas alturas, na Fortaleza de seu Olimpo, a grande Vênus se encarregaria de enviar seu recado...

5.9.10

Entre o divino e o terreno

Acredito na sabedoria da vida, no que o astral me traz, no destino que se cumpre... Alguns fatos e encontros escancaram esta força maior sobre a qual não tenho controle. Encontros simplesmente acontecem. Sem planejar, sem forçar, sem calcular... eles acontecem!! Eles são a prova maior de que a vida, por si só, se encarrega de muitas coisas.

Creio que meu papel, para que se cumpra minha "agenda espiritual", consiste no autoconhecimento e busca espiritual constante. Simples... mas não exatamente fácil! Pois também há em mim a intenção de eternizar os encontros na repetição dos mesmos, a todo instante... Para este lado, as memórias não são suficientes, não bastam!

E sigo nesta sede intensa, na querência da reedição das mesmas lembranças...

Constato, mais uma vez, que não estou entre o divino e o terreno. Eu sou esta lacuna!