Sem saber se o que esperava era real, ela o criou e recriou a partir de sua capacidade de amar. Se ele chegasse, viria para o lugar em que ela o esperava: onde ele já havia sido criado. Mas como não vinha ou se demorava, ela alucinava. A espera é um delírio, e este durou o tempo de uma gestação.
Começou com um encantamento. Ela recebeu a informação de que era hora de parar e ali ficar, num abraço em que sua alma poderia descansar. O brilho, lindíssimo de ouro, demonstrado por uma força superior, a convenceu. E cada aproximação trazia ainda mais encanto e beleza.
Após aceitar o plantio daquele "grãodeamor", ao abraçá-lo, galhos floridos saíam de seu coração e envolviam o dele. A surpresa daquele fato a fez recuar algumas vezes, assustada. Algo novo e mágico estava acontecendo...
Em vários momentos teve dúvidas sobre permanecer ou não ali, naquela posição... Desentendida, fadas encheram o caminho de flores, e ela passou a sentir o olhar e movimento de aproximação de seu lindíssimo com carinho, amor, cuidado, respeito, admiração, alegria e muitos abraços, que davam trégua à sua alma e coração.
Estaria apaixonada? Não era isso. Mas também não compreendia por que esperava... O outro não espera nunca! A pureza da angústia daquela espera fazia com que ela assumisse a identidade fatal daquele que aguarda o movimento alheio.
A situação de espera, pra ela que era da ação, angustiava mais do que a outros. Quis desistir. Uma, duas, várias vezes. Uma força maior a fazia ficar, por mais que não compreendesse ou houvesse alguma explicação racional. Ela demorou, mas se convenceu e aceitou.
E esteve tão conectada neste tempo, que foi capaz de sentir quando a energia de seu amado adentrou em seu campo energético. As fadas tinham lhe indicado o caminho... Ele estava chegando!
O respeito ao tempo de seus passos já a alegravam. Agora ela já sentia seus sinais. Sua presença a tocava e trespassava seu corpo. O sorriso não se desfez por uns tempos, enquanto o despertador já tocava, em vão.
Mas ele não chegou.
Os sinais foram diminuindo.
Ela relutou. Desta vez, porque não queria viver o fim de uma história sem começo.
O tempo passou. Mais uma vez ela demorou, mas se convenceu e aceitou. Decidiu renunciar ao estado amoroso e se exilou daquele imaginário.
Sua perda também era abstrata.
Pariu ar.
E a roda girou.