Fechei a porta e chorei.
Foi necessário me machucar para
conseguir fechar aquela porta.
Mergulhei em água parada.
Sou Sol, sou fogo, sou cachoeira. Não posso ficar nesse lugar.
Não sou desse lugar. Não me reconheço
nele.
Para fugir da dor, usei a pior das táticas: fechei os olhos. Mergulhei cega onde não devia, num lugar que não é meu e onde não queria
estar.
Inebriada, não conseguia sair. A
cada tentativa, mais fragilidades vinham à tona. Quanto mais encobria a dor
velada, mais me afundava num Mar de lama.
Maremotos invadiam meus sonhos e
minha casa. Era necessário morrer e renascer.
À flor da pele, meus olhos marejam.
Porta fechada.
Arrumo a casa.
As lágrimas que caem devolvem movimento às minhas águas.
A água flui.
O Sol brilha.
Suavizo meu vento... sou brisa!
Suavizo meu vento... sou brisa!
Renasço da lama e me perfumo com flor de lótus.
Estou em paz.


