21.6.13
Em carne viva
Aqui estou, ferida. Assim como a lenda da águia, que ao completar 40 anos enfrenta um dolorido processo de renovação (arrancando seu bico e suas unhas para sobreviver outros 40), sigo sozinha no caminho das águas para arrancar a casca de todas as feridas. Preciso renascer.
Forço e retiro todas as cascas. Quero tudo aberto.Quero a cura de tudo que me dói, apesar da dor da cura.
Arranco a fina casca da ferida das amizades, que não eram tão verdadeiras ou sólidas como supunha, e que tanto sangraram nos últimos tempos...
Desfaço-me das feridas antigas, do amor que já não sobreviveria apenas pelo que sobrou (um discurso em comum), quilometricamente afastado pelas atitudes e valores tão distintos das minhas verdades...
As pequenas e constantes feridas do cotidiano... os desamores que a vida me trouxe... Arranco uma a uma. Sem piedade. Olho minha imagem no espelho: sou eu, ferida. Mas sou eu, sem cascas, nem escudos. Exposta a mim, indefesa, mas estranhamente forte. Nesta desconhecida fragilidade, lágrimas escorrem.
Chorar dói.
Respirar dói.
Meu humor oscila com as ondas.
A água salgada me lava, me limpa.
Troco de pele.
E renasço... em carne viva.
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