18.6.07

AGRIDOCE

Estou aqui há algum tempo, tentando identificar um sentimento. Dar nome mesmo. Nomear para atribuir um estatuto de realidade, porque eu sei que existe, afinal, está aqui, comigo.
É fato que eu já estou acostumada com minha nova vida de solteira: (digo nova, porque estar solteira onze anos atrás era bem diferente) lugar diferente, tempo e pessoas diferentes e programas igualmente diferentes. Acho isso muito legal. Contudo, apesar de já estar imersa neste momento e permanecer por aqui, às vezes me sinto como um stranger...
Não tem jeito! Acabo sempre caindo na mesma balela do amor romântico. A natureza fugaz dos relacionamentos de hoje nem sempre são totalmente digeridas, por mais que me esforce pra isso. O que também não significa não reconhecer que uma noite não possa ser boa. Pelo contrário. Pode ser ótima, e dependendo do momento, maravilhosa.
Mas o que acontece é que de repente uma dessas noites me deixou assim, exatamente como estou hoje. Não pelo fato de ter sido delicioso estar acompanhada, ou por estar acompanhada desta ou daquela pessoa, mas principalmente pelo fato de me sentir, de alguma forma, “em casa”, apesar de desconhecer o terreno, me sentir acolhida apesar do abraço não ser meu.
Carência?
Impulsividade?
Imediatismo?
Solidão?
Viagem? Exagero? Medo?
Melodrama?
Invenção?
Saudade?
Saudade de amar?
É... acho que estou chegando perto da definição... É isso. Aquele abraço, aquele aconchego me pegou de surpresa e fez lembrar como é bom amar e ser amada. De certa forma, me escancarou a solidão em que vivo, mas que há tempos já nem percebia.
Aí vem a realidade e me mostra que aquele abraço, aquela presença que desencadeou tudo isso também é desse “novo lugar” em que as coisas passam rápido, os sentimentos e relacionamentos mais ainda...
Vem o dia seguinte e me prova de forma doce e carinhosa o tamanho da minha solidão.
Foi bom ? M.U.I.T.O.
Mas deixou uma lembrança agridoce: a doçura do momento associada à acidez do desvelar da minha situação.