Um colar, um brinco, o mais puro cristal (retirado debaixo da terra e energizado por índios) e um martelo sem cabo. Pronto. Estava tudo ali. Tudo o que ela precisava fazer era se desfazer daqueles objetos que, mesmo guardados, quase escondidos, faziam questão de gritar sua existência.
O brinco, o cristal e o colar já haviam sido separados quando o martelo berrou sua presença no fundo de uma caixa . Aliás, de todos os objetos, esse era o que melhor se configurava como a metáfora perfeita de seu dono: um martelo sem cabo. Pesa. E não serve pra nada. O que fazer com um objeto desses? A resposta veio-lhe rápido à mente: jogar fora, é claro! Ela já havia carregado aquele martelo por muito tempo!
Mas ela não podia jogá-lo em um lugar qualquer. Por isso passou a procurar por um rio de fácil acesso, pois aquelas presenças não valiam a busca de um lugar legal. Ela então encontrou o lugar ideal: um córrego. Sujo e fundo, de uma cidade pequena e pobre de espírito.
Foi lá, retirou os objetos do carro. Ficou na pontezinha olhando para aquelas presenças pela última vez. Um aperto se fez em seu coração. A vontade de guardá-los novamente QUASE passou por seu coração...
Ploft!
Como todo "martelo sem cabo", aquele ajudou a afundar tudo o que estava com ele. Ela olhou a forma do córrego voltar ao normal e um misto de alívio e vazio tomou conta de sua alma. Virou as costas, entrou no carro e chorou durante 15 minutos.
Depois respirou fundo, sorriu e secou os olhos, certa de que era a última vez que chorava aquelas lembranças.
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